Além da estética: lábio leporino pode causar distúrbios respiratórios, de fala e de audição

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    O lábio leporino (fissura labial) e a fenda palatina (abertura na parte superior do céu boca, o palato) são malformações congênitas que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião. Num primeiro momento, a questão estética pode ganhar destaque, mas essas malformações vão além disso.

    “Essas malformações podem afetar as condições nutricionais da criança, funções da fala, audição, mastigação, deglutição e respiração, além de deixar a criança suscetível a infecções de repetição de orelha, nariz e garganta. As complicações das arcadas dentárias são também observadas nas fissuras completas, que envolvem o comprometimento da pré-maxila e palato”, explicou a fonoaudióloga, mestre e doutora do Hospital Otorrinos Curitiba, Carla Maffei.

    Lábio leporino x fenda palatina

    O lábio leporino se caracteriza por uma abertura que começa na lateral do lábio superior, que o divide em duas partes. A falha no fechamento das estruturas pode afetar apenas o lábio ou se estender até o sulco entre os dentes incisivo lateral e canino, atingir a gengiva, o maxilar superior e chegar ao nariz.

    No caso da fenda palatina, a abertura pode atingir todo o céu da boca e a base do nariz, estabelecendo comunicação direta entre um e outro. Pode também aparecer dividida a úvula (campainha da garganta), resultando em úvula bífida.

    Causas do lábio leporino

    As causas do lábio leporino e da fenda palatina dessas anomalias ainda são desconhecidas, mas alguns fatores de risco podem estar envolvidos para sua manifestação, tais como hereditariedade, álcool, fumo, algumas doenças maternas durante a gestação e deficiências nutricionais.

    Sintomas de lábio leporino

    O lábio leporino não apresenta sintomas, mas visualmente é fácil identificá-lo. 

    Lábio leporino é visto no ultrassom?

    Ainda na barriga da mãe é possível descobrir se o bebê terá malformação. Dependendo do tamanho da fissura labial, o diagnóstico pode ser feito no pré-natal, nos três primeiros meses de gestação.

    O bebê pode se alimentar normalmente?

    Alguns bebês com fissura labial conseguem se alimentar normalmente; outros podem ter mais dificuldades. Em alguns casos é indicado o uso de mamadeiras com bicos especiais ou o posicionamento do bebê de uma forma melhor e que facilite na hora da alimentação.

    O bebê terá problema nos dentes?

    Depende. Se a fissura afetar somente o lábio, é provável que os dentes não tenham problemas. Mas se ela afetar a gengiva (onde os dentes nascem e crescem), o bebê precisará de cuidados com profissionais especializados.

    O bebê terá problemas para aprender a falar?

    Se a fissura chegar até o céu da boca, além das cirurgias corretivas, será necessário tratamento fonoaudiológico.

    Tratamento para lábio leporino

    Tanto o lábio leporino como a fenda palatina podem ser corrigidos com cirurgia. Segundo a Dra. Carla, a abordagem multidisciplinar, com a participação de otorrinolaringologista, fonoaudióloga, odontologia, cirurgia plástica e psicólogo, são fundamentais no processo.

    “O tratamento é um processo longo que envolve a atuação de equipe interprofissional.  Inicia-se desde o nascimento, seguindo durante o período de desenvolvimento da criança, e dependendo da extensão dos seus comprometimentos, podendo se estender até a fase adulta. As áreas da cirurgia plástica, fonoaudiologia e odontologia são consideradas o tripé do tratamento da fissura labiopalatina”, complementou a doutora.

    Em geral, a criança recebe a cirurgia de lábio nos três primeiros meses após o nascimento e o fechamento do palato por volta dos dezoito meses de idade, chamadas de cirurgias primárias.

    É importante também ressaltar que a fissura labial é uma malformação dos lábios, e não afeta a capacidade mental da criança. Por isso, a criança deve ser tratada com respeito e igualdade.

    Com informações: Ministério da Saúde e Hospital Sírio Libanês

    Diretor Técnico do Hospital Otorrinos Curitiba: Dr. Ian Selonke – CRM-PR 19141 | Otorrinolaringologia

     

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